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Capítulo 2 - Luiz Pereira Barreto, o criador
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Capítulo 2

Luiz Pereira Barreto, o criador

Luiz Pereira Barreto (1840-1923), um dos mais ilustres positivistas brasileiros, nasceu em 2 de janeiro de 1840, em Rezende, no Estado do Rio de Janeiro. Era filho de Fabio Pereira Barreto e de Francisca de Salles Barreto. Em Rezende, iniciou-se nos estudos no Colégio Brasil, de Joaquim Pinto Brasil. Já em São Paulo, concluiu os estudos no Colégio São Carlos. Aos 15 anos, seguiu para a Bélgica, para estudar Medicina. Graduou-se, provavelmente, em 1864. Saudoso de sua pátria, Barreto voltou ao Brasil, trazendo da Bélgica a paixão pelo positivismo de Augusto Comte. Em 1865, mais precisamente, no dia 18 de julho, Pereira Barreto se apresentou ao exame de suficiência para poder exercer a Medicina no Brasil, defendendo tese perante banca da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, intitulada Teoria das gastralgias e das nevroses em geral. Esse escrito marcaria, simbolicamente, a nova etapa do desenvolvimento do positivismo no Brasil, do qual Pereira Barreto é um dos titãs.

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Luiz Pereira Barreto

Fonte: Suplemento Cultural – julho 2011

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Augusto Comte

Fonte: Disponível em: <http://www.dantonvoltaire.eng.br/images/augusto.jpg>. Acesso em: 27 de agosto de 2012

Na citada tese, escrevia que o espírito humano tem passado por três estados sucessivos: o teológico ou fictício, o metafísico ou abstrato e o positivo ou real. Casou-se com a Sra. Carolina Peixoto, em 1866, e clinicou na cidade paulista de Jacareí. Entre 1874 e 1876, publicou a obra As três filosofias, em dois volumes. Nela, esclarece que a primeira filosofia diz respeito aos conservadores, os representantes do antigo passado; a segunda, aos liberais, aos representantes do passado moderno; e a terceira, ao contemporâneo, à ciência atual, vale dizer, o positivismo. A obra é toda baseada em Augusto Comte: “Em todo o decurso do meu trabalho, não alcanço uma só ideia que não tenha sido emitida por Comte ou sua escola: só me pertencem as eivas da exposição” (Barros, R. S. M., A evolução do pensamento de Pereira Barreto, p. 105). Ainda, propõe a reforma espiritual como solução positiva e fundamental, a qual deverá ser atingida pela educação, como concebido por Comte. Nos anos seguintes, Barreto passou a se dedicar a campanhas de conteúdo socioeconômico. Seu alvo, praticamente, era mostrar o valor e o poder da ciência, única força capaz de impulsionar o País para o futuro. Como médico, via a necessidade de sanear o País; como homem de ciência, percebia a necessidade de resolver questões eminentemente técnicas. Então, escreveu artigos sobre plantações, qualidade e propriedade das terras, de modo especial, da terra roxa. Adquiriu, a seguir, em Ribeirão Preto, uma fazenda que se tornaria modelar. No final da década de 1870, início de 1880, Pereira Barreto se viu envolto na política, quando se tornou membro do Partido Republicano. Nessa época, escreveu uma série de artigos para o Jornal A Província de S. Paulo, sob os seguintes títulos: “A elegibilidade dos acatólicos” (1879), “A grande naturalização” (1880), “Os abolicionistas” (1880), “Ainda os abolicionistas” (1880), “A metafísica” (1881) e “A nova lei sobre a matrícula de escravos” (1881). Foi eleito representante à Constituinte Estadual de 1891 e, em uma homenagem ao seu grande mérito e prestígio, foi eleito presidente da Assembleia Constituinte e, posteriormente, presidente do Senado Estadual. Para Roque Spencer Maciel de Barros, a partir de suas poucas intervenções na Assembleia e no Senado somadas à sua forma excessivamente protocolar de agir, alheio aos debates, “difícil se torna examinar e medir a importância de sua curta experiência parlamentar” (op. cit., p. 178). Em meados dos anos de 1880, Pereira Barreto se dedicou à campanha de saneamento público, no combate a moléstias epidêmicas que assolavam o Brasil; momento em que se lançou na campanha contra a febre amarela. Em 1887, começou a participar da longa e penosa luta contra esse mal, como membro da Comissão Lacerda, que nesse ano esteve em Campinas fazendo os primeiros ensaios para debelar a doença. Em 1889, como ainda grassasse a terrível febre em Campinas, o presidente da província, Barão de Jaguara, incumbiu a Pereira Barreto preparar a opinião pública para receber, sem choque, a notícia de que o Estado estava disposto a gastar vultosa quantia ao bem da higiene para combater o mal.

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Campinas, cerca de 1890

Fonte: Disponível em: <http://campinasvirtual.com.br/galeria/grande/campinas_antigas_2/largo_do_rosario_1890.jpg>. Acesso em: 27 de agosto de 2012

Em março desse ano, escreveu Barreto, no A Província de S. Paulo, quatro artigos sob o título “Febre amarela”, nos quais defende a opinião de que o mal era decorrente da água contaminada: “teoria das águas”. Mais tarde, quando descobriu-se que a febre amarela se devia a um mosquito, Barreto não abandonou completamente a sua teoria hídrica. Ao contrário, procurou conciliar as ideias, convencendo-se de que somente o fechamento dos poços e fossas não era o suficiente para debelar o mal, sendo preciso atacar o mosquito por todos os lados, mas também que qualquer água estagnada é perigosa, pois é o local em que os insetos se reproduzem.

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Mosquito vetor da febre amarela

Fonte: Disponível em: <http://www.combateadengue.com.br/wp-content/uploads/2011/01/Aedes_aegypti_E-A-Goeldi_1905.jpg>. Acesso em: 27 de agosto de 2012

Luiz Pereira Barreto foi um grande educador e, embora combatesse o academicismo (que para ele representava o antigo passado), defendeu a abertura de novas academias. Data de 24 de novembro de 1881 o Decreto que criaria, em São Paulo, uma Academia de Medicina, Cirurgia e Farmácia, a qual, entretanto, não vingou. Esse Decreto certamente teve influência direta de Luiz Pereira Barreto, considerando que era líder da medicina paulista, e que nessa área nada acontecia de importante que não tivesse a sua especial providência. A futura Academia de Medicina de São Paulo somente viria a ser criada, por Pereira Barreto, em 7 de março de 1895, que nasceu com o nome de Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Em seus derradeiros anos de vida, Barreto aderiu francamente ao darwinismo, com o qual chegou a conceitos de eugenia, que funcionaria como uma espécie de medicina preventiva, a preparar homens sadios capazes de assegurar a prosperidade, aproveitando, assim, a lei natural da seleção, mas respeitando o princípio da moral, ao qual tudo deve estar subordinado.

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Luiz Pereira Barreto

Fonte: Disponível em: <http://piritubaweb.com.br/img/bairros/foto3_pagina4.jpg>. Acesso em: 27 de agosto de 2012

Charles Darwin

Fonte: Disponível em: <http://acritica.uol.com.br/multimidia/Homenageado-Charles-Darwin-Brasil-Divulgacao_ACRIMA 20100708_0008_17.jpg>. Acesso em: 27 de agosto de 2012

Dedicou-se, também, à problemática do envelhecimento: “Atirado em vida, desarmado, sobre um inóspito rochedo — escreveu Barreto em 1921 — o homem é um ente consciente, condenado sem apelo à morte. Todo o brilho das suas faculdades intelectuais e morais, ostentado durante a mocidade e a idade viril, desaparece tristemente na escuridão da última fase de sua curta existência. A velhice é uma imerecida humilhação e a morte é uma trágica injustiça. Não temos para nos defender senão o fraco e o vacilante filete de luz que a natureza, por grande favor, concedeu ao nosso cérebro e é só com essa precária e frágil arma que temos de sustentar a luta pela vida” (Barros, R. E. M., op.cit. p.242). Em 2 de janeiro de 1923, no dia de seu 83º aniversário, contrariando os seus hábitos de madrugador, a porta do quarto em que dormia continuava fechada quando as outras pessoas da família despertaram. Aberta a porta, “encontrou-se caído e já em rigidez cadavérica o corpo do grande cientista” (O Estado de S. Paulo, janeiro de 1923).






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