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Academia de Medicina rejeita entrada de médicos cubanos
Em reunião com diretores da APM, presidente da Academia criticou duramente a intenção do Governo Federal de trazer seis mil médicos cubanos para o Brasil sem avaliação da competência

Durante reunião da diretoria da Associação Paulista de Medicina, no último dia 10, o presidente da Academia de Medicina de São Paulo, Affonso Renato Meira, manifestou-se contrário à intenção do governo federal de trazer médicos cubanos para trabalhar no Brasil sem que, para isso, sejam submetidos a um exame de avaliação. Ele leu um manifesto assinado pela Academia de Medicina, que rechaça a proposta (lei abaixo o documento na íntegra).

Para Meira, apenas o diploma de médico obtido no exterior não assegura uma formação sólida, não havendo, assim, garantias de que o atendimento prestado pelos cubanos terá qualidade. "Não se pode abrir as portas do País dessa maneira, sem antes verificar a competência do profissional. Se o governo pretende investir em estrangeiros no interior do Brasil, porque não melhora as condições e leva o médico brasileiro para lá?”, rebateu.

O presidente da Academia afirma que, além do princípio básico de avaliar a capacidade, existem diferenças no histórico da saúde nos dois países, que podem agravar a situação. E complementa: "Nos opomos não à vinda de profissionais de outros países. O Brasil pode sim recebê-los, desde que sigam as normas brasileiras e sejam avaliados.”

Desde que o governo sinalizou a intenção de "importar” médicos de Cuba para alocá-los em regiões com atendimento escasso, a APM se posicionou de forma contrária, e vem questionando a medida. Assim como as demais entidades médicas do estado de São Paulo, considera a decisão equivocada, desnecessária e ingrediente que irá agravar a situação da saúde pública brasileira.

Manifesto da Academia de Medicina de São Paulo.

Declaração da Academia de Medicina de São Paulo

Frente à presença de 6.000 médicos cubanos, que o Governo brasileiro entende de receber para solucionar a ausência de médicos em municípios do país, a Academia de Medicina de São Paulo vem a público para revelar sua posição totalmente contraria a anunciada medida.

Contrária porque não preenche o estabelecido pela legislação do próprio governo federal, que exige a comprovação de competência de um médico diplomado no exterior através de exames comprobatórios, para permitir o exercício da profissão;

Contrária porque o governo federal omite os reais motivos da ausência de médicos em pequenos municípios e nas periferias, ou seja, a falta de condições de trabalho, de remuneração e de carreira de Estado para profissionais de saúde;

Contraria porque aos médicos estrangeiros falta o conhecimento básico da língua portuguesa, da cultura brasileira e da epidemiologia referentes às doenças endêmicas e epidêmicas, condições sem as quais não se pode exercer uma atividade médica de boa qualidade;

Contraria porque é necessário haver um debate com a sociedade, antes da tomada de decisões que envolvem a qualidade do exercício da medicina no País e alertar a população sobre os riscos de contratação de médicos estrangeiros ou brasileiros formados no exterior sem a devida comprovação de competência, para cuidar do mais importante para a vida, ou seja, a saúde;

Contraria, por fim, porque juntamente com as demais entidades médicas, a Academia de Medicina de São Paulo tomará iniciativas para impedir essa afronta à saúde da população e à dignidade da medicina brasileira.

Affonso Renato Meira
Presidente da Academia de Medicina de São Paulo

Fonte: Site da Associação Paulista de Medicina
http://www.apm.org.br/noticias-conteudo.aspx?id=9265








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