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Biografia

Ovídio Pires de Campos

Ovídio Pires de Campos nasceu em Tatuí (SP), em 8 de maio de 1884.

Matriculou-se na Faculdade de Medicina da Bahia e aí fez os quatro primeiros anos, transferindo-se, posteriormente, para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde graduou-se em 1905. Foi companheiro de estudos, em Salvador, de Celestino Bourroul, Zephirino do Amaral, Enjolras Vampré, Abílio Martins Castro, João Florêncio Gomes e tantos outros que mais tarde se tornaram expressões ilustres da medicina brasileira.

Iniciou sua carreira em Sorocaba (SP) e aí permaneceu 4 anos. Em 1910 e 1911 residiu na Europa. Em fevereiro de 1914 foi nomeado professor substituto da cadeira de fisiologia da Faculdade de Medicina de São Paulo e, em 1915, professor catedrático. Em 1917 transferiu-se para a cátedra de clínica médica.

Ovídio Pires de Campos, disse Aloysio de Castro, “se deu a conhecer pelas suas obras, na perfeição moral de seu exercício; fiel aos princípios intransgressíveis e imutáveis da medicina”.

Fez escola na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Foram seus discípulos, entre outros, Ernesto de Souza Campos, José de Toledo Mello, Floriano de Almeida, Flamínio Fávero, Franklin de Moura Campos, os irmãos Urbano e Tácito Silveira, Menotti Sainatti, Armando Valente Júnior, José Silveira Araújo, Reynaldo Chiaverini e tantos outros.

Plínio Barreto, saudoso jornalista, retratando a vida de Ovídio como homem público, referiu ter sido o grande professor “um colaborador constante de todos os movimentos cívicos em que São Paulo se envolveu. Médico de larga clientela, sem necessidades de ordem material, professor numa escola de medicina da qual viria a ser, diretor, nunca se fechou, como tantos outros, dentro do seu egoísmo, para se afastar da vida pública que, não sendo tempestuosa, é sempre desagradável. O prestígio de seu nome, nunca recusou a todas as campanhas de feição cívica e patriótica”.

Sucedeu a Arnaldo Vieira de Carvalho, por ocasião de sua morte, na direção da Faculdade de Medicina de São Paulo, contribuindo com o seu devotamento para o progresso dessa grande casa de ensino e de pesquisa. Em todos os cargos que exerceu, sempre o fez com a rigorosa noção do dever.

Trabalhador de uma honestidade intransigente, de invulgar probidade científica, altruísta, Ovídio Pires de Campos foi no dizer do amigo Zephirino do Amaral, uma “autentica expressão do verdadeiro sacerdócio médico”.

A Faculdade de Medicina de São Paulo muito lhe deve, principalmente durante o período de formação e de consolidação dessa casa de ensino.

Seu aluno, Carlos da Silva Lacaz, assim se referiu dele: “Na 3ª Enfermaria de Homens da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, onde o conheci, Ovídio Pires de Campos prestou assinalados serviços. Era sempre pontual em sua chegada, às 8 horas, não tolerando descuidos e delongas prejudiciais ao doente e à marcha de trabalho em seu serviço”.

“Escravo do dever, chegava sempre antes de seus auxiliares, dando elevada prova de assiduidade e devoção ao trabalho”.

“Aluno que fui de Ovídio Pires de Campos, sempre o admirei como professor e omo homem, cônscio de seus deveres para com a pátria. Em longos anos de professorado, ele serviu e honrou a Faculdade de Medicina de São Paulo”.

Ovídio Pires de Campos foi uma das personalidades médicas de maior relevo.

Professor de clínica, apreciava os temas de neurologia e de endocrinologia. Versando na medicina clássica e na medicina moderna, seu nome ficará entre os mais elevados nos anais da medicina paulista.

Em 14 de maio de 1949, Ovídio Pires de Campos foi alvo de grandes manifestações de simpatia da classe médica e da sociedade paulistana por ocasião de seu jubileu professoral.

Galgou os mais altos postos de sua classe, sendo eleito por dois mandatos anuais não sucessivos, presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, hoje, Academia de Medicina de São Paulo (1918-1919 e 1935-1936). Dirigiu, igualmente, a Cruz Vermelha de São Paulo, onde deixou traços marcantes de sua passagem.

A vida de Ovídio Pires de Campos, disse com razão Hernani de Campos Seabra, “foi lição e exemplo, padrão de dignidade, sentimento do dever, a que não faltou traço superior do humano. Outra coisa ela não haveria de inspirar, senão respeito, louvor, honra e consideração. Sua escola foi a ciência de ética e de humanismo”.

Ovídio Pires de Campos faleceu em São Paulo, em 3 de julho de 1950, com 66 anos. Seu nome é honrado como patrono da cadeira nº 83 da augusta Academia de Medicina de São Paulo.

NOTAS:

Esta biografia é uma autoria do Acad. Helio Begliomini, Titular e Emérito da cadeira nº 21 da Academia de Medicina de São Paulo sob o patrono de Benedicto Augusto de Freitas Montenegro.