Ronaldo Ramos Laranjeira

Ronaldo Ramos Laranjeira nasceu em São Paulo (SP), no bairro da Penha, em 19 de outubro de 1956. É filho de Antonio e Elvira de Jesus Laranjeira. Realizou seus estudos básicos e secundários no Instituto Estadual de Educação Nossa Senhora da Penha. Ainda na adolescência, conciliou trabalho diurno com o ensino noturno, experiência que contribuiu para sua formação pessoal e disciplina profissional.
Ingressou, em 1978, na Escola Paulista de Medicina, onde se graduou e realizou residência médica em psiquiatria. Durante toda a formação médica, atuou no Departamento de Psicobiologia sob orientação da professora doutora Jandira Masur, participando da implantação de uma das primeiras linhas de pesquisa em dependência química de álcool e outras drogas no país.
Após a residência, realizou doutorado (PhD) no Instituto de Psiquiatria da Universidade de Londres, no Maudsley Hospital, sob supervisão do professor Griffith Edwards, referência internacional e formulador do conceito de Síndrome de Dependência do Álcool. Permaneceu por seis anos no National Addiction Centre, onde desenvolveu instrumentos clínicos para detecção da dependência química e participou de estudos longitudinais com usuários de heroína, além de projetos de organização de serviços baseados em evidências científicas.
Ronaldo Ramos Laranjeira retornou ao Brasil em 1995 e, em conjunto com o psiquiatra inglês John Dunn, fundou a Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas (UNIAD), no Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina. A UNIAD tornou-se centro de referência nacional, sustentada por financiamentos da Fapesp e do CNPq, desenvolvendo pesquisas clínicas, epidemiológicas e biológicas sobre álcool, maconha, cocaína e crack, além de estudos pioneiros sobre o impacto do uso de drogas na gravidez e na saúde pública.
Destacam-se, entre seus projetos, o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD), primeiro estudo brasileiro com amostra probabilística representativa da população, cujas três edições subsidiaram políticas públicas nacionais (em 2025, na sua terceira versão); o Levantamento de Cenas de Uso em Capitais (LECUCA), realizado desde 2016; e o Levantamento Nacional sobre Familiares de Dependentes Químicos e pesquisas de acompanhamento longitudinal de usuários de crack ao longo de mais de três décadas.
Em 1999, já como professor do Departamento de Psiquiatria, criou o primeiro curso de especialização em Dependência Química da Escola Paulista de Medicina e, em 2002, implantou sua versão a distância, formando mais de três mil profissionais de todos os estados brasileiros. Em 2006, obteve o título de livre-docente com tese sobre Políticas Municipais Relacionadas ao Álcool, trabalho que embasou a política de fechamento de bares em Diadema (SP), associada à redução significativa dos índices de homicídio, com repercussão internacional.
Na pós-graduação, orientou 20 dissertações de mestrado e 25 teses de doutorado; publicou cerca de 290 artigos científicos; 18 livros e 45 capítulos de livros, com índice H de 20. Em 2008, tornou-se professor titular do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, cargo que exerceu até a sua aposentadoria, em 2025.
Ronaldo Ramos Laranjeira teve participação ativa na formulação de políticas públicas, destacando-se sua atuação na criação da Lei Seca no Brasil, nos estudos sobre beber e dirigir, e na coordenação do Programa Recomeço do Governo do Estado de São Paulo, entre 2013 e 2019, período em que contribuiu para a organização de uma linha de cuidados em dependência química e para a implantação de serviços inovadores, como moradias assistidas para usuários de crack.
Foi presidente da Associação Brasileira de Estudos sobre Álcool e Outras Drogas (ABEAD), no período de 2001 a 2003, e integrou o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD), entre 2020 e 2023. Em 2014 recebeu o Prêmio Griffith Edwards, concedido pela International Society of Addiction Journal Editors, em reconhecimento à sua contribuição científica, clínica e institucional.
Desde 2009, Ronaldo Ramos Laranjeira atua na diretoria da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), da qual é o diretor-presidente. Sob sua gestão, a SPDM consolidou-se como a maior organização social de saúde do Brasil, responsável pela administração de centenas de unidades assistenciais em diversos estados, com destaque para a formação profissional e a ampliação da rede de atenção em saúde mental.
No âmbito da psiquiatria assistencial, teve papel central na criação da maior rede de psiquiatria do Brasil, dois exemplos especiais foram: o Ambulatório Médico de Especialidades de Psiquiatria Dra. Jandira Masur, inaugurado em 2010, primeiro AME especializado em psiquiatria no Estado de São Paulo, e na implantação do HUB de Cuidados em Crack e Outras Drogas, serviço de referência no atendimento a populações em extrema vulnerabilidade, que foi um fator de extrema importância para o fim da cracolândia na região central da cidade de São Paulo.
Ao longo de sua trajetória, Ronaldo Ramos Laranjeira destacou-se pela integração entre ciência, clínica, ensino e políticas públicas, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento da psiquiatria, da saúde mental e da atenção à dependência química no Brasil.
Por fim, vale a pena salientar o amor e orgulho que tem pelos filhos Alan, Oliver e Lina.
Nótulas: A biografia foi fornecida pelo autor e a foto foi tirada no dia da posse.
A. Pequenas adaptações do texto ao perfil desta secção, bem como as notas de rodapé foram feitas pelo acadêmico Helio Begliomini, titular e emérito da cadeira no 21 da Academia de Medicina de São Paulo, cujo patrono é Benedicto Augusto de Freitas Montenegro (1888-1979).
B. A solenidade de posse ocorreu em sessão de gala no auditório Professor Doutor Adib Domingos Jatene da Associação Paulista de Medicina.
Fapesp: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
CNPq: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
AME: Ambulatório Médico de Especialidades.
